The Japan Times - Alain Delon, o poder de sedução de um lobo solitário

EUR -
AED 4.172583
AFN 72.714994
ALL 94.095258
AMD 416.93039
ANG 2.034203
AOA 1042.439173
ARS 1678.393563
AUD 1.646838
AWG 2.045106
AZN 1.932124
BAM 1.95366
BBD 2.282559
BDT 139.397284
BGN 1.921128
BHD 0.428303
BIF 3385.787417
BMD 1.13617
BND 1.47037
BOB 7.831145
BRL 5.903087
BSD 1.133338
BTN 106.927973
BWP 15.464853
BYN 3.22531
BYR 22268.937374
BZD 2.279363
CAD 1.613407
CDF 2579.106417
CHF 0.921088
CLF 0.026568
CLP 1045.651444
CNY 7.715164
CNH 7.728059
COP 3916.992467
CRC 515.823542
CUC 1.13617
CUP 30.108512
CVE 110.140459
CZK 24.263314
DJF 201.818011
DKK 7.474359
DOP 66.785364
DZD 151.644677
EGP 56.259632
ERN 17.042554
ETB 180.253457
FJD 2.574679
FKP 0.863433
GBP 0.861405
GEL 2.999465
GGP 0.863433
GHS 12.746587
GIP 0.863433
GMD 82.364658
GNF 9930.989042
GTQ 8.646261
GYD 237.121874
HKD 8.907746
HNL 30.35879
HRK 7.533145
HTG 148.124464
HUF 354.06242
IDR 20476.060681
ILS 3.389111
IMP 0.863433
INR 107.255213
IQD 1488.383059
IRR 1562290.935301
ISK 143.997977
JEP 0.863433
JMD 178.622739
JOD 0.805514
JPY 183.844277
KES 147.167707
KGS 99.358247
KHR 4556.042688
KMF 493.097649
KPW 1022.553644
KRW 1756.627155
KWD 0.351815
KYD 0.944449
KZT 549.268583
LAK 25069.596973
LBP 101492.423899
LKR 381.944839
LRD 206.260402
LSL 18.848876
LTL 3.354815
LVL 0.687258
LYD 7.277995
MAD 10.697607
MDL 20.116607
MGA 4831.642929
MKD 61.621185
MMK 2385.4291
MNT 4071.833326
MOP 9.152312
MRU 45.526079
MUR 54.75243
MVR 17.553721
MWK 1973.527785
MXN 19.891724
MYR 4.680112
MZN 72.597053
NAD 18.849181
NGN 1562.427472
NIO 41.594972
NOK 11.221204
NPR 171.083805
NZD 2.013504
OMR 0.436864
PAB 1.133318
PEN 3.887952
PGK 4.973595
PHP 69.722796
PKR 315.39418
PLN 4.2841
PYG 6925.382454
QAR 4.141347
RON 5.232743
RSD 117.37322
RUB 85.441876
RWF 1665.460754
SAR 4.266307
SBD 9.148389
SCR 15.044871
SDG 681.702207
SEK 11.070417
SGD 1.473589
SHP 0.848266
SLE 28.174058
SLL 23824.926728
SOS 647.684732
SRD 42.401842
STD 23516.430757
STN 24.473404
SVC 9.916961
SYP 125.583284
SZL 18.765698
THB 37.928752
TJS 10.477437
TMT 3.976596
TND 3.337505
TOP 2.735626
TRY 52.962799
TTD 7.697432
TWD 36.197931
TZS 2975.557203
UAH 50.960498
UGX 4193.258468
USD 1.13617
UYU 45.468786
UZS 13613.845773
VES 705.281089
VND 29904.001617
VUV 136.136759
WST 3.156026
XAF 655.218994
XAG 0.019775
XAU 0.000283
XCD 3.070557
XCG 2.042526
XDR 0.814896
XOF 655.227635
XPF 119.331742
YER 271.118684
ZAR 18.750127
ZMK 10226.89091
ZMW 20.456229
ZWL 365.846365
Alain Delon, o poder de sedução de um lobo solitário
Alain Delon, o poder de sedução de um lobo solitário / foto: Valery HACHE - AFP/Arquivos

Alain Delon, o poder de sedução de um lobo solitário

Alain Delon, que morreu neste domingo (18) aos 88 anos, foi o ator francês mais carismático e famoso da história do cinema, com uma aura sombria de lobo solitário que o acompanhou até o fim.

Tamanho do texto:

"Eu gosto de ser amado como eu amo a mim mesmo". Para esse homem que falava de si na terceira pessoa, tudo o que fazia só poderia ser feito de maneira desmedida. Um estilo que no final de sua vida o perseguiu, entre brigas familiares, declarações contraditórias e polêmicas sobre sua carreira e as mulheres.

Príncipe encantado ou gângster indomável, Delon atuou para alguns dos maiores diretores do cinema e seu poder de atração talvez só tenha sido igualado na história do cinema por Rodolfo Valentino. Outros viram nele uma versão francesa de James Dean.

Foi o homem ideal para muitas mulheres e companheiro por um tempo de símbolos da belezas como Romy Schneider, Claudia Cardinale, Simone Signoret e Mireille Darc.

"Foi nelas, no olhar da minha primeira esposa, Nathalie, e nos de Romy (Schneider), Mireille (Darc) ou a mãe dos meus filhos (Rosalie van Breemen), que encontrei a motivação para ser o que fui, para fazer o que deveria fazer", dizia Delon.

Ator minucioso diante da câmera, Alain Delon passará para a posteridade por um magnetismo comparável ao que Marilyn Monroe ou Brigitte Bardot tiveram sobre os homens. "Só me faltou fazer o papel de Cristo. Agora é um pouco tarde", declarou no final de sua carreira.

Trabalhou em cerca de 90 filmes, sob a direção de Melville, Visconti, Antonioni, Losey, Godard e Malle.

Produtor, diretor, empresário e colecionador de arte, era um sedutor rebelde e arrogante, que cultivava na vida real a imagem que irradiava na tela.

O tempo transformou o rosto e embranqueceu os cabelos da fera solitária. Acentuou sua pose de misantropo de onde ele saboreava a glória, antes que esta o exaurisse porque limitava sua liberdade.

"Estava programado para o sucesso, não para a felicidade. São duas coisas incompatíveis", disse em uma ocasião.

- Sob as asas de Visconti -

De volta a Paris, acumulou empregos temporários em uma área do mercado central da capital frequentada por cafetões, prostitutas, homossexuais e criminoso. "Tive muitos contatos com o ‘gangsterismo’, até toquei nele com os dedos", confesso em 2021. Mas "sempre preferi os policiais".

Sua elegância imponente, olhar azul e "rosto de anjo" — um de seus apelidos — não passavam despercebidos no distinto bairro parisiense de Saint-Germain-des-Près, o qual começou a frequentar.

O cineasta Jean-Claude Brialy se rendeu ao charmoso ator e o convidou para o Festival de Cannes.

Em 1957, estreou nas telas em "Uma Tal Condessa", de Yves Allégret, antes de se tornar intérprete de um dos maiores, Luchino Visconti. O diretor italiano foi o verdadeiro “Pigmaleão” do jovem ator, cuja inteligência e potencial soube detectar e desenvolver.

"Rocco e Seus Irmãos" e "O Leopardo" serão dois ápices na carreira de Delon. Na Itália, atua em "O Eclipse" (Michelangelo Antonioni), antes de interpretar papéis memoráveis para Jean-Pierre Melville em "O Círculo Vermelho" e “O Samurai”.

No teatro, foi visto em "Pena que seja uma p...", montado por Visconti. A coprotagonista se chamava Romy Schneider e foi o início de uma longa relação com a jovem atriz austríaca.

Com "Borsalino", de Jacques Deray, alcançou em 1974 um dos maiores sucessos de sua carreira ao lado de Jean-Paul Belmondo, de quem se despediu, emocionado, em 10 de setembro de 2021, durante o funeral deste outro ícone do cinema francês.

Alguns diretores exploraram com sucesso suas facetas mais complexas. Para Joseph Losey, foi o enigmático protagonista de "Monsieur Klein" (1976) e Volker Schlöndorff o transformou no barão de Charlus, o inatingível aristocrata homossexual de "Um Amor de Swann" (1984), adaptação da obra de Proust.

- Amizade com Carlos Monzón -

Alain Delon diversificou suas atividades: como diretor, filmou "Na Pele de um Tira" (1981) e "Le Battant" (1983). Envolveu-se na criação de cavalos de corrida e era um entusiasta do boxe.

Da fascinação pelo turbulento e violento mundo das lutas, nasceu a relação com o argentino Carlos Monzón, de quem organizou vários confrontos na França.

A amizade durou para sempre, ao ponto de Delon visitá-lo na Argentina, na prisão onde o ex-campeão cumpria pena por assassinar sua esposa, antes de ele próprio morrer em um acidente de carro em 1995.

Em 1978, Delon criou com sucesso sua própria empresa de produtos de luxo. Aficionado por arte, colecionava esculturas, garrafas de grandes vinhos e relógios.

Em 2002, após sua separação de Rosalie, não escondeu sua depressão, chegando até a evocar a ideia do suicídio.

Nos anos seguintes, suas aparições públicas tornaram-se cada vez menos frequentes, marcadas por declarações que acentuavam seu isolamento, a favor da pena de morte e da extrema direita ou contra o casamento homossexual.

"Não gosto do mundo atual", dizia este homem, pai de três filhos, Anthony, Anouchka e Alain-Fabien, que protagonizaram no final de 2023 um embate judicial, acusando-se mutuamente de negligenciar a saúde do pai.

Os três apresentaram processos separados na justiça. Simultaneamente, a cuidadora do ator nos últimos anos, Hiromi Rollin, também foi alvo de uma denúncia dos filhos, que a acusavam de isolar o pai. Ela respondeu com uma nova ação contra eles.

Delon nunca recebeu um prêmio de interpretação do Festival de Cannes, que decidiu, apesar de todas as polêmicas, conceder-lhe, em 2019, uma Palma de Ouro honorária pelo conjunto de sua carreira.

M.Matsumoto--JT