The Japan Times - Competição de 'drag queens', um desafio à discriminação na Nicarágua

EUR -
AED 4.236315
AFN 75.553019
ALL 93.275221
AMD 422.35737
AOA 1058.934265
ARS 1729.981574
AUD 1.638434
AWG 2.076341
AZN 1.950687
BAM 1.956959
BBD 2.323075
BDT 142.778861
BHD 0.434948
BIF 3453.244413
BMD 1.153523
BND 1.477975
BOB 13.708472
BRL 5.882279
BSD 1.153383
BTN 109.752598
BWP 15.568217
BYN 3.434433
BYR 22609.049164
BZD 2.319643
CAD 1.616126
CDF 2606.961815
CHF 0.934567
CLF 0.026734
CLP 1055.612189
CNY 7.785184
CNH 7.782807
COP 3648.558379
CRC 524.321776
CUC 1.153523
CUP 30.568357
CVE 110.333668
CZK 24.263276
DJF 205.391597
DKK 7.475497
DOP 67.329861
DZD 153.461287
EGP 57.417408
ERN 17.302844
ETB 186.159691
FJD 2.553842
FKP 0.857346
GBP 0.857708
GEL 3.016476
GGP 0.857346
GHS 13.535365
GIP 0.857346
GMD 85.360325
GNF 10130.304785
GTQ 8.80021
GYD 241.302858
HKD 9.049284
HNL 30.914302
HRK 7.536546
HTG 150.809283
HUF 364.573259
IDR 20594.998152
ILS 3.463666
IMP 0.857346
INR 109.83378
IQD 1510.89449
IRR 1585920.982023
ISK 142.572116
JEP 0.857346
JMD 183.168441
JOD 0.817863
JPY 182.641857
KES 149.279328
KGS 100.875887
KHR 4684.773512
KMF 492.554315
KRW 1633.35962
KWD 0.3563
KYD 0.961169
KZT 540.560026
LAK 26041.078389
LBP 103284.103894
LKR 386.869037
LRD 208.186862
LSL 18.737893
LTL 3.406053
LVL 0.697755
LYD 7.336566
MAD 10.74989
MDL 20.056874
MGA 4921.849865
MKD 61.568318
MMK 2421.882171
MNT 4148.114639
MOP 9.32038
MRU 46.367858
MUR 54.296451
MVR 17.833845
MWK 1999.984044
MXN 19.787625
MYR 4.718133
MZN 73.706953
NAD 18.737893
NGN 1574.178272
NIO 42.444576
NOK 10.973636
NPR 175.604157
NZD 1.964801
OMR 0.443526
PAB 1.153368
PEN 3.906131
PGK 5.097172
PHP 70.205705
PKR 320.207872
PLN 4.297507
PYG 6858.268371
QAR 4.216324
RON 5.25165
RSD 117.335195
RUB 94.993023
RWF 1696.00408
SAR 4.331163
SBD 9.307025
SCR 16.71581
SDG 692.701549
SEK 10.946638
SGD 1.477519
SLE 28.373249
SOS 659.190258
SRD 43.679872
STD 23875.595419
STN 24.514513
SVC 10.092281
SZL 18.734091
THB 38.130277
TJS 10.639999
TMT 4.043098
TND 3.388406
TRY 55.030658
TTD 7.817798
TWD 37.217249
TZS 3053.955373
UAH 51.658751
UGX 4296.674115
USD 1.153523
UYU 46.428896
UZS 13794.585318
VES 869.999961
VND 30227.491267
VUV 137.281209
WST 3.14729
XAF 656.345574
XAG 0.017986
XAU 0.000267
XCD 3.117454
XCG 2.078731
XDR 0.816917
XOF 656.365501
XPF 119.331742
YER 273.211973
ZAR 18.719641
ZMK 10383.097013
ZMW 21.769605
ZWL 371.433908
Competição de 'drag queens', um desafio à discriminação na Nicarágua
Competição de 'drag queens', um desafio à discriminação na Nicarágua / foto: OSWALDO RIVAS - AFP

Competição de 'drag queens', um desafio à discriminação na Nicarágua

É com as maquiagens e perucas que Marvin Reyes dá vida para Akeira Davenport, uma "drag queen" que desafia a discriminação sexual na Nicarágua.

Tamanho do texto:

"Eu faço drag há 11 anos", conta Reyes, chefe de cozinha em uma universidade particular de Manágua. Ele tem medo da aceitação social e conta que já suportou agressões verbais e físicas.

"Faço o que faço com Akeira por paixão, uma diversão, algo que eu gosto, às vezes sem precisar ganhar dinheiro porque eu gosto da arte, então essa é a diferença entre Akeira e Marvin", diz Reyes, de 31 anos, à AFP.

Uma "drag queen" é um artista que se veste com trajes considerados femininos.

- "Tudo acontece rápido" -

Akeira venceu recentemente um concurso contra colegas de países da América Central, realizado em um bar de Manágua.

Na competição, três participantes se maquiavam no palco do bar, diante de um público formado por membros da comunidade LGBTQIA+.

Os participantes viram como as "queens" se ajudaram a ajustar suas roupas, pôr as perucas e calçar os saltos ou botas de cano alto para vencer a segunda edição do concurso Mix Imperial Central American Tropical Drag Royale.

"Normalmente a drag é perfeita (...), tem uma porta e sai uma montada (...); aqui não tem tempo para elas trocarem de passarela, tudo acontece rápido", explica à AFP a organizadora do concurso, Lola Rizo, no Candyland by Teatro.

Cada competidora deveria trocar de roupa, fazer uma apresentação e se preparar para a próxima, enquanto a plateia grita o nome das participantes.

As concorrentes devem ter boa aparência, ter um bom desempenho e saber falar perante o júri, acrescenta Rizo, artista de 32 anos, para quem "este tipo de atividade não fala apenas da diversidade sexual e de gênero", mas também da realidade de cada país.

- "Vivo com medo" -

As discriminação e ataques nas ruas e nas redes sociais de Nicarágua são frequentes para membros da comunidade LGBTQIA+.

Por isso, são necessárias leis que penalizem a agressão, garante à AFP Ludwika Vega, de 40 anos, presidente da Associação Nicaraguense de Transgêneros.

O caminho do respeito à diversidade sexual tem sido difícil na Nicarágua.

O país registrou 43 situações de discriminação e violência contra mulheres trans, homossexuais e lésbicas em 2022, segundo o Observatório de violações de direitos humanos de pessoas LGBTQIA+.

Já durante o primeiro semestre de 2023, ocorreram 16 agressões verbais ou físicas e dois crimes de ódio que acabaram com a vida de duas mulheres trans, segundo o observatório.

A homossexualidade era crime desde a década de 1990, após a derrota eleitoral do governo da revolução sandinista (1979-1990). No entanto, após o retorno do atual presidente Daniel Ortega ao poder em 2007, a criminalização da homossexualidade foi abolida.

Em 2009, foi criada uma Procuradoria Especial da Diversidade Sexual, embora falte uma lei de identidade de gênero, diz Vega, que em 2019 foi agredida por desconhecidos que a abandonaram no local.

"Sou uma mulher trans que vive com medo, com a ansiedade de que possam fazer algo contra mim ou nos atacar por não sermos o que a sociedade quer que sejamos, com esses esquemas e papéis patriarcais que nos impõem", acrescenta Vega, graduada em Marketing.

Vega diz que sonha viver em uma sociedade "sem rejeição, sem exclusão, sem violência, onde possamos viver com a nossa família, com o nosso companheiro, sem que ninguém nos aponte e diga que não somos bem vistos, porque o fundamentalismo religioso tem um grande papel nisso".

- "Sou a mesma pessoa" -

Quando Akeira sai do palco, Marvin assume seu lugar na casa onde mora com a mãe e os irmãos, em um bairro movimentado de Manágua.

Dentro de casa, ele continua com suas outras paixões: cozinhar e tem um coelho e dois periquitos como animais de estimação.

Marvin explica que sua atuação como "drag queen" busca encorajar membros de minorias sexuais.

"Temos que ser uma pessoa e mostrar que, embora esteja de peruca ou usando maquiagem, sou a mesma pessoa, sempre", diz ele.

"Não precisamos ser preconceituosos com nós mesmos. Às vezes nos escondemos e não percebemos, e isso dói fisicamente, (e) também afeta seu coração", diz Marvin.

T.Maeda--JT