The Japan Times - 'Até o fim': o trauma de um voluntário que procura familiares soterrados na Venezuela

EUR -
AED 4.190388
AFN 75.874588
ALL 93.859535
AMD 416.274986
AOA 1046.314438
ARS 1707.327971
AUD 1.629329
AWG 2.053834
AZN 1.939027
BAM 1.957093
BBD 2.294185
BDT 140.502814
BHD 0.429572
BIF 3402.828576
BMD 1.141019
BND 1.470307
BOB 12.649356
BRL 5.803332
BSD 1.139022
BTN 109.934658
BWP 15.73398
BYN 3.267158
BYR 22363.967361
BZD 2.290883
CAD 1.607753
CDF 2578.702671
CHF 0.929639
CLF 0.027497
CLP 1082.199536
CNY 7.727091
CNH 7.723174
COP 3672.539977
CRC 518.328774
CUC 1.141019
CUP 30.236997
CVE 110.33692
CZK 24.121597
DJF 202.831321
DKK 7.475658
DOP 66.332074
DZD 152.143502
EGP 58.58253
ERN 17.115281
ETB 183.844212
FJD 2.539622
FKP 0.856448
GBP 0.854343
GEL 2.995211
GGP 0.856448
GHS 13.246634
GIP 0.856448
GMD 84.435768
GNF 9993.119638
GTQ 8.68974
GYD 238.305333
HKD 8.948217
HNL 30.508351
HRK 7.537336
HTG 148.92185
HUF 359.345579
IDR 20526.470778
ILS 3.465964
IMP 0.856448
INR 109.775356
IQD 1492.18572
IRR 1568900.771986
ISK 143.003514
JEP 0.856448
JMD 180.664595
JOD 0.809005
JPY 186.64271
KES 147.757141
KGS 99.781676
KHR 4605.840731
KMF 495.202064
KRW 1672.362654
KWD 0.35383
KYD 0.949227
KZT 541.587766
LAK 25792.037903
LBP 102002.181385
LKR 382.782862
LRD 206.164383
LSL 19.239009
LTL 3.369131
LVL 0.690191
LYD 7.288719
MAD 10.666953
MDL 20.132299
MGA 5047.201417
MKD 61.593826
MMK 2396.138529
MNT 4100.817242
MOP 9.200778
MRU 45.460836
MUR 54.015819
MVR 17.629454
MWK 1975.052767
MXN 19.885281
MYR 4.66163
MZN 72.911668
NAD 19.239009
NGN 1557.102301
NIO 41.915669
NOK 10.9236
NPR 175.892568
NZD 1.96678
OMR 0.438645
PAB 1.139052
PEN 3.876361
PGK 5.09512
PHP 70.436793
PKR 316.391986
PLN 4.311306
PYG 6886.458579
QAR 4.140935
RON 5.229742
RSD 117.387948
RUB 88.770502
RWF 1678.364579
SAR 4.276069
SBD 9.220692
SCR 15.363408
SDG 685.184361
SEK 11.029983
SGD 1.471341
SLE 27.641148
SOS 650.912871
SRD 43.121954
STD 23616.784271
STN 24.515013
SVC 9.966584
SZL 19.236201
THB 38.258539
TJS 10.507649
TMT 3.993566
TND 3.37623
TRY 54.037049
TTD 7.739112
TWD 36.90454
TZS 3006.582083
UAH 51.045778
UGX 4293.798799
USD 1.141019
UYU 45.739814
UZS 13785.106271
VES 845.838791
VND 30025.90822
VUV 135.408239
WST 3.145013
XAF 656.373335
XAG 0.019205
XAU 0.000279
XCD 3.08366
XCG 2.052856
XDR 0.816318
XOF 656.381969
XPF 119.331742
YER 272.189869
ZAR 19.051167
ZMK 10270.53691
ZMW 21.100661
ZWL 367.40757
'Até o fim': o trauma de um voluntário que procura familiares soterrados na Venezuela
'Até o fim': o trauma de um voluntário que procura familiares soterrados na Venezuela / foto: MARTIN BERNETTI - AFP

'Até o fim': o trauma de um voluntário que procura familiares soterrados na Venezuela

Miguel Báez se esgueira por um túnel estreito entre as ruínas deixadas pelos terremotos na Venezuela. Movido pelo desespero de encontrar os restos mortais de seus familiares, ele também carrega o trauma de tudo o que viu nos escombros e o medo de morrer durante as buscas.

Tamanho do texto:

"Quero ficar aqui até o fim", diz, por causa "da incerteza de não saber se sobreviveram ou não, ou pelo menos de encontrá-los para dar a eles o sepultamento que merecem".

Magro, de pele morena e olhar abatido, ele usa um capacete azul e uma camiseta preta coberta pela poeira levantada por uma retroescavadeira a poucos metros dali. Báez caminha com agilidade sobre placas inclinadas de concreto até uma abertura de onde voluntários como ele retiram baldes cheios de entulho.

O comerciante, de 32 anos, assumiu inesperadamente o papel de socorrista, sem qualquer treinamento, depois que os dois terremotos de 24 de junho atingiram o estado costeiro de La Guaira. Ele é um dos milhares de voluntários que se mobilizaram diante de uma resposta oficial lenta e insuficiente.

Báez acredita que sua mãe, Solangel, seu irmão Héctor e sua sobrinha Susej ficaram presos em um conjunto habitacional público de 12 andares no setor de Caraballeda. Ele também divulgou, sem sucesso, mensagens com as fotos dos três, a palavra "desaparecidos" e números de telefone para contato.

Cães farejadores vasculharam a área, enquanto socorristas do Brasil, Estados Unidos, México, Honduras e outros países entraram no prédio com sensores. Sem qualquer sinal de vida, Báez perdeu, no décimo dia, a esperança de encontrar os familiares vivos.

Ele viu "pessoas com vida, gente ajudando", mas também "vários corpos em decomposição".

"Você está tentando lutar, se arriscar, resgatar, e de repente encontra pessoas mortas", conta.

Mesmo quando se afasta do local, as imagens continuam voltando.

"O cansaço e o estresse levam você a isso", afirma.

"É uma espécie de trauma. É psicológico", reconhece.

- "Desmoronado" -

Uma imagem de Jesus Cristo recebe os socorristas na entrada destruída das duas torres conhecidas como OPP 33. Os prédios agora parecem uma sobreposição de lajes e pisos, em meio ao forte cheiro de decomposição.

Báez conseguiu retirar de seu apartamento, o 101, um pedaço de um quadro. Também recuperou a guitarra de Héctor, de 28 anos, e a viola de Susej, de 10. Os dois eram músicos.

Quase três semanas depois da tragédia, que deixou cerca de 4.500 mortos, os corpos dos três familiares ainda não foram encontrados.

Há três noites, os socorristas localizaram os restos mortais de uma menina.

"É claro que nos levantamos desesperados e saímos correndo", porque poderia ser sua sobrinha, filha de sua irmã Jesurimar.

Pelas roupas, porém, a família percebeu que não era Susej.

O mais velho de cinco irmãos evita que os outros o vejam "desmoronado". Às vezes, ele se afasta um pouco da área de buscas para "tentar desabafar". Também deixou de usar as redes sociais.

Desde o primeiro dia do desastre, sua rotina se resume a dormir algumas horas e acordar "pensando no que aconteceu, em quem trabalhou durante a noite e em que corpo foi encontrado".

Báez segue pela parte de trás das ruínas, sobe até o sexto andar e chega a uma abertura de menos de um metro de diâmetro, feita com marretas e esmerilhadeiras emprestadas.

Ele mesmo gravou com o celular um vídeo no interior do prédio, onde já entrou várias vezes. Nas imagens, homens se arrastam entre placas sustentadas por pequenos pedaços de concreto. O espaço é tão apertado que eles só conseguem avançar deitados.

Foi ali que Báez sentiu um dos mais de mil tremores secundários registrados na Venezuela.

"Houve uma réplica e estávamos no segundo andar, descendo em direção ao primeiro", quando a estrutura "cedeu", recorda.

"Tivemos de sair porque, caso contrário, bem...", diz, sem concluir a frase.

"Deus nos protegeu", afirma.

- "Sem nada" -

Báez estava em um ônibus na vizinha Maiquetía, onde fica o aeroporto internacional parcialmente fechado, quando sentiu os dois terremotos consecutivos, de magnitude 7,2 e 7,5.

Ele chegou à noite às ruínas do lugar onde havia vivido por 13 anos. Lembra-se de "pessoas correndo e gritando em desespero" em meio a uma nuvem de poeira.

Desde então, "ficamos sem nada, sem rumo", lamenta. Báez dorme em barracas doadas, ao lado de outros familiares.

Máquinas pesadas removem os escombros, enquanto o local continua tomado por odores e moscas. Ele sabe que está exposto a doenças.

"Quando você come, há risco de infecção. As moscas pousam na comida e também nos corpos", afirma.

O céu cinzento encobre La Guaira, e Báez se abriga no acampamento. A chuva interrompe os trabalhos de busca.

No celular, ele revê fotos de momentos com a mãe, Solangel, de 48 anos: comemorações do Dia das Mães e passeios em família. Seus olhos se enchem de lágrimas.

"Praticamente já não temos lágrimas para expressar o que estamos sentindo", diz.

S.Yamada--JT