The Japan Times - Policiais protestam na Argentina por melhores salários e atenção à saúde mental

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Policiais protestam na Argentina por melhores salários e atenção à saúde mental
Policiais protestam na Argentina por melhores salários e atenção à saúde mental / foto: STR - AFP

Policiais protestam na Argentina por melhores salários e atenção à saúde mental

Dezenas de policiais reivindicaram melhorias salariais e atenção à saúde mental na cidade de Rosário, a mais assolada pelo crime na Argentina, em protestos que duraram até a noite desta terça-feira (10).

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Dezenas de motos e viaturas policiais permaneceram estacionadas em fila e com as sirenes ligadas por horas, bloqueando o trânsito em frente à sede do departamento de polícia da cidade de Rosário, 300 km a noroeste de Buenos Aires.

Dezenas de policiais, acompanhados por seus familiares, começaram as manifestações entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça, quando outro grupo de efetivos da própria polícia tentou dispersá-los e reprimi-los, o que provocou confrontos. Os manifestantes exibiam cartazes como "nossas vidas importam".

"Agrediram e lançaram gás de pimenta em nossa família. Nossos próprios companheiros", disse à AFP uma policial feminina, que pediu o anonimato temendo sanções.

"Depois de agredirem as famílias" muitos efetivos da polícia de Rosário decidiram interromper suas atividades, acrescentou a policial, e cerca de 20 se recusaram a patrulhar a cidade.

O advogado Gabriel Sarla, ex-policial e um dos participantes da manifestação, disse à AFP que a reivindicação se dá "diante da falta de resposta quanto à atenção psicológica, às horas sem descanso do pessoal e, sobretudo, pelos salários indignos que fazem com que o policial esteja próximo da pobreza".

Esteban Santantino, funcionário do Ministério de Justiça e Segurança da província de Santa Fé, disse aos jornalistas na noite desta terça que entende a reivindicação "legítima" e lamentou que, "no âmbito de este conflito", os manifestantes careçam de um "canal de diálogo".

Também disse que garante a "operatividade policial" para a segurança em Rosário, de 1,3 milhão de habitantes, mas ressaltou que não pode afirmar que há "total normalidade e que não há dificuldades".

Devido ao protesto, pelo menos 20 agentes foram suspensos e deverão entregar suas armas e coletes à prova de balas.

A insatisfação aumentou na semana passada após a morte do suboficial Oscar Valdez, de 32 anos, no mais recente de uma série de suicídios dentro das forças policiais de Santa Fé.

- Coletes ao chão -

O Ministério da Justiça e Segurança de Santa Fé apresentou um relatório à Justiça local, que está investigando os policiais afastados e outros colegas por irregularidades no protesto, informou o jornal local La Capital.

"Me disseram 'você tem que vir entregar o colete, a credencial e a pistola'. Tenho 11 anos de serviço. Ganho 1.000.000 de pesos por mês [R$ 3.700 no câmbio oficial]", disse Germán Acuña a vários meios argentinos, com seu colete nas mãos. "A luta continua."

O ministro da Justiça e Segurança de Santa Fé, Pablo Cococcioni, advertiu na manhã desta terça que "utilizar a instituição policial para minar a política de segurança [...] é cruzar uma linha que não vamos permitir", disse.

Situada às margens do rio Paraná, Rosário é a terceira maior cidade do país e um dos maiores portos agroexportadores do mundo.

Contudo, ficou conhecida pela violência do tráfico de drogas e ocupou manchetes na imprensa pelas ameaças a jogadores de futebol como Ángel Di María, Lionel Messi e seus familiares.

Com uma taxa de homicídios de 5,7 para cada 100.000 habitantes, Santa Fé lidera as estatísticas a nível nacional, mas encerrou 2025 com o segundo registro mais baixo desde 2014, de acordo com o Observatório de Segurança Pública da província.

T.Sasaki--JT