The Japan Times - Campanha presidencial chega ao fim em Portugal marcada por tempestades

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Campanha presidencial chega ao fim em Portugal marcada por tempestades
Campanha presidencial chega ao fim em Portugal marcada por tempestades / foto: PATRICIA DE MELO MOREIRA, FILIPE AMORIM - AFP

Campanha presidencial chega ao fim em Portugal marcada por tempestades

Perturbada pelas tempestades que atingiram o país nas duas últimas semanas, a campanha do segundo turno das eleições presidenciais em Portugal termina nesta sexta-feira (6) com um socialista moderado como grande favorito na disputa com o candidato da extrema direita.

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"É uma crise devastadora", afirmou na quinta-feira o primeiro-ministro Luís Montenegro, em referência às chuvas que afetaram Portugal recentemente. Ele considerou, no entanto, que as dificuldades para organizar a votação eram "superáveis".

O candidato de extrema direita, André Ventura, pediu o adiamento da votação a nível nacional, mas a autoridade eleitoral recordou que a lei prevê apenas adiamentos localizados, de uma semana, e que os resultados seriam anunciados igualmente a partir de domingo à noite.

Até o momento, três municípios afetados pelas tempestades anunciaram o adiamento da votação para o domingo seguinte, dia 15, indicou à AFP a Comissão Nacional de Eleições (CNE).

Um dos municípios é Alcácer do Sal, que fica quase 100 quilômetros ao sul de Lisboa, gravemente afetado pela cheia do rio Sado após as chuvas de quarta e quinta-feira provocadas pela tempestade Leonardo.

Na semana passada, os ventos fortes da tempestade Kristin devastaram o centro do país: cinco pessoas morreram, quase 400 ficaram feridas e danos muito significativos foram registrados.

No sábado, uma nova tempestade deve atingir o país, segundo a meteorologia.

- Críticas ao governo -

Após as fortes chuvas, os candidatos à presidência alteraram suas agendas e intensificaram as visitas às áreas atingidas.

Ventura, que se apresenta como o candidato de todo o campo "não socialista" e reivindica o papel de líder da oposição ao governo minoritário de direita, aproveitou para reforçar as críticas ao Executivo de Montenegro e sua gestão após as tempestades.

Até então muito mais conciliador, já que se apresenta como um candidato "de unidade", António José Seguro também endureceu o tom e se declarou "chocado" com a falta de eficácia dos serviços de emergência e a dificuldade do Estado em restabelecer a normalidade nas áreas afetadas.

Uma pesquisa publicada na quarta-feira pelo jornal Público mostra que o socialista Seguro tem 67% das intenções de voto, contra 33% para Ventura.

Seguro, 63 anos, venceu o primeiro turno há três semanas com 31,1% dos votos e, desde então, recebeu o apoio de várias figuras políticas da extrema esquerda, do centro e até da direita, mas não do primeiro-ministro.

- Desmobilização -

Montenegro, que depende do apoio no Parlamento tanto dos socialistas como da extrema direita, dependendo das circunstâncias, se recusou a expressar apoio no segundo turno após a derrota do candidato apoiado pelo seu partido, que recebeu apenas 11,3% dos votos no primeiro turno.

Ventura, 43 anos, recebeu 23,5% dos votos no primeiro turno e confirmou o avanço do seu partido Chega, que se tornou a principal força da oposição após as eleições legislativas de maio de 2025.

Além do favoritismo de Seguro, as atenções estarão voltadas para o resultado de Ventura, para entender se as eleições marcam uma "consolidação" da sua base de apoio, uma "espécie de estagnação" ou, pelo contrário, se ele consegue "conquistar um novo eleitorado", explica à AFP João Cancela, professor de Ciências Políticas da Universidade Nova de Lisboa.

Contudo, também neste caso as condições meteorológicas adversas mudaram a situação, já que provavelmente provocarão uma "desmobilização" dos eleitores ainda maior do que a esperada devido à previsível vitória do candidato socialista, opina Cancela.

Mas fica ainda mais difícil prever se o contexto pode favorecer Ventura e seu discurso a favor de uma "refundação do sistema político" ou um candidato como Seguro, "mais apegado à ordem institucional vigente", acrescenta o analista.

M.Matsumoto--JT