The Japan Times - Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

EUR -
AED 4.330938
AFN 77.832669
ALL 96.602299
AMD 448.308258
ANG 2.111018
AOA 1081.405926
ARS 1712.281766
AUD 1.683491
AWG 2.122717
AZN 2.011969
BAM 1.952352
BBD 2.385487
BDT 144.854178
BGN 1.98046
BHD 0.444593
BIF 3523.311312
BMD 1.179287
BND 1.505609
BOB 8.213494
BRL 6.173331
BSD 1.184408
BTN 108.30872
BWP 15.600156
BYN 3.391411
BYR 23114.031108
BZD 2.381993
CAD 1.612735
CDF 2541.363858
CHF 0.917604
CLF 0.025732
CLP 1016.049951
CNY 8.19192
CNH 8.177927
COP 4279.633617
CRC 588.120153
CUC 1.179287
CUP 31.251113
CVE 110.070608
CZK 24.316784
DJF 210.907524
DKK 7.469871
DOP 74.866187
DZD 153.292081
EGP 55.426182
ERN 17.68931
ETB 184.766832
FJD 2.595906
FKP 0.863817
GBP 0.863125
GEL 3.178225
GGP 0.863817
GHS 12.987064
GIP 0.863817
GMD 86.679113
GNF 10400.833668
GTQ 9.08795
GYD 247.792382
HKD 9.214933
HNL 31.289151
HRK 7.535878
HTG 155.34618
HUF 380.604318
IDR 19774.289471
ILS 3.641857
IMP 0.863817
INR 106.493127
IQD 1551.553277
IRR 49677.477759
ISK 145.005151
JEP 0.863817
JMD 186.104935
JOD 0.836112
JPY 183.85502
KES 152.423113
KGS 103.128449
KHR 4772.274622
KMF 492.941585
KPW 1061.343532
KRW 1709.471372
KWD 0.362501
KYD 0.986953
KZT 598.108773
LAK 25471.016518
LBP 105583.598595
LKR 366.770704
LRD 219.701992
LSL 18.962411
LTL 3.482129
LVL 0.713339
LYD 7.482785
MAD 10.800625
MDL 20.051588
MGA 5285.631848
MKD 61.645314
MMK 2476.644764
MNT 4208.203103
MOP 9.528032
MRU 47.067395
MUR 54.117259
MVR 18.220542
MWK 2055.212701
MXN 20.433806
MYR 4.637552
MZN 75.179503
NAD 18.962572
NGN 1643.820395
NIO 43.616812
NOK 11.426404
NPR 173.429011
NZD 1.954946
OMR 0.453443
PAB 1.184408
PEN 3.989155
PGK 5.079035
PHP 69.680557
PKR 331.782131
PLN 4.222208
PYG 7875.092072
QAR 4.329654
RON 5.095662
RSD 117.416885
RUB 90.476221
RWF 1732.876805
SAR 4.422659
SBD 9.502817
SCR 16.389742
SDG 709.342365
SEK 10.551968
SGD 1.498998
SHP 0.884771
SLE 28.863016
SLL 24729.064203
SOS 677.426358
SRD 44.842382
STD 24408.866168
STN 24.476076
SVC 10.363653
SYP 13042.416233
SZL 18.967656
THB 37.188904
TJS 11.062064
TMT 4.139298
TND 3.417065
TOP 2.839441
TRY 51.295343
TTD 8.018906
TWD 37.243063
TZS 3050.273424
UAH 51.045558
UGX 4230.52861
USD 1.179287
UYU 45.948851
UZS 14479.428382
VES 438.270999
VND 30663.828412
VUV 140.969154
WST 3.21511
XAF 655.310907
XAG 0.013545
XAU 0.000239
XCD 3.187083
XCG 2.134521
XDR 0.814972
XOF 654.800579
XPF 119.331742
YER 281.112568
ZAR 18.879387
ZMK 10615.001017
ZMW 23.242951
ZWL 379.73003
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa
Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa / foto: EVARISTO SA - AFP

Tarifas de Trump ameaçam o Brasil, mas caem bem para um Lula em baixa

A ameaça comercial de Donald Trump pode trazer efeitos devastadores ao Brasil, mas, no momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva surfa uma onda nacionalista, enquanto a oposição de direita reage dividida e na defensiva.

Tamanho do texto:

O presidente americano anunciou na semana passada tarifas de 50% às importações brasileiras a partir de agosto, pelo que chamou de "caça às bruxas" contra seu aliado, o ex-presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, que está sendo julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.

Em entrevistas à imprensa e discursos, Lula, usando um boné com a frase o "Brasil é dos brasileiros", condenou a "interferência" americana e disse que não descarta ações de "reciprocidade".

Mas a ameaça de Trump não poderia ter chegado em um momento melhor para o ex-sindicalista de 79 anos, faltando pouco mais de um ano para as eleições de 2026, que ele afirma querer disputar.

Segundo um pesquisa feita antes da crise comercial, a maioria dos brasileiros desaprovava o governo em meio à inflação persistente (5,35% em 12 meses em junho e o escândalo de fraude no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

O Congresso, de maioria conservadora, bloqueou sua proposta de elevar o IOF.

Diante da ameaças para a economia, o governo Lula apelou para a união nacional, com uma campanha nas redes sociais que inclui o slogan "Brasil se escreve com S de soberania", em referência ao nome do país em inglês: "Brazil".

Além disso, o governo ajustou sua defesa de aumentar os impostos aos mais endinheirados à nova situação: "Lula taxa os super-ricos e Bolsonaro taxa o Brasil."

Também se aproximou daqueles que perderiam mais com as tarifas: o grande empresariado industrial e o poderoso agronegócio, setores tradicionalmente mais próximos da direita.

O aproveitamento que Lula faz deste momento ficou evidente no fim de semana, quando, visivelmente sorridente, recomendou jabuticabas - uma fruta nativa e emblemática do Brasil - para curar o 'mau humor' de seu colega americano.

"Vou levar jabuticaba para você, Trump. Você vai perceber que o cara que come jabuticaba de manhã num pais que só ele dá jabuticaba não precisa de briga tarifária, precisa de muita união e muita relação diplomática", ironizou, enquanto colhia as frutas de uma árvore, segundo um vídeo publicado no Instagram pela primeira-dama Janja.

Na presidência, o momento é aproveitado: "O bolsonarismo quer fazer o Brasil de refém para salvar Bolsonaro. É muito bom", indicou uma fonte à AFP. "Era o que esperávamos. Agora é aproveitar até o próximo ano".

Ao permitir o uso do patriotismo, "Trump jogou um bom mimo para Lula", disse o analista político André César à AFP. E acrescentou: "O brasileiro vai ser chamado para se enrolar na bandeira" nacional, da qual o bolsonarismo buscou se apropriar nos últimos anos.

- 'Obrigado, Trump' -

A extrema direita brasileira esperava há meses uma sanção de Washington contra Alexandre de Moraes, ministro do STF e relator do caso contra Bolsonaro.

Mas a ameaça de tarifas superou todos os cálculos e dividiu as forças conservadoras, com retrocessos relevantes.

Para o filho do ex-presidente, o deputado Eduardo Bolsonaro (PL/SP), que há meses faz lobby em defesa de seu pai nos Estados Unidos, a carta do republicano confirmou o "sucesso" do "intenso diálogo" que mantém com Washington.

"Obrigado presidente Trump -- torne o Brasil livre outra vez", escreveu na rede social X, em inglês.

Jair Bolsonaro, por sua vez, disse que "não se alegra" por ver os produtores "sofrer" os possíveis efeitos das tarifas, mas responsabilizou Lula.

E insistiu em que a "solução" passa por aprovar uma anistia no Congresso para os condenados pelo 8 de janeiro de 2023, quando seus apoiadores invadiram e depredaram as sedes dos Três Poderes em Brasília, e da qual ele espera se beneficiar, segundo os seus detratores, para anular tanto o julgamento como a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o torna inelegível até 2030.

- 'Isolar ainda mais a extrema direita' -

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), um possível candidato da direita nas eleições presidenciais do próximo ano, inicialmente apontou suas armas contra Lula e reuniu-se com Bolsonaro em Brasília.

Mas depois pediu uma "união de esforços", quando as principais indústrias no estado mais rico do país, como a aeronáutica, começaram a expressar preocupação pelas tarifas.

Para Geraldo Monteiro, professor de Ciência Política da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a ameaça de Trump "teve o efeito de isolar ainda mais a extrema direita" criando uma "inesperada coalizão de interesses" entre o governo Lula e a classe empresarial.

"Pode ter mudado" o jogo das eleições de outubro de 2026 a favor do petista para um quarto e inédito novo mandato, opinou Monteiro à AFP, embora ainda falte mais de um ano para a disputa.

K.Tanaka--JT