The Japan Times - 'Não somos animais': migrantes rejeitam albergues da Costa Rica e Panamá

EUR -
AED 4.331594
AFN 77.8451
ALL 96.422152
AMD 445.434763
ANG 2.111342
AOA 1080.97374
ARS 1707.59645
AUD 1.689141
AWG 2.124517
AZN 2.009634
BAM 1.954198
BBD 2.376751
BDT 144.201761
BGN 1.980763
BHD 0.444669
BIF 3483.076915
BMD 1.179468
BND 1.501326
BOB 8.154314
BRL 6.185598
BSD 1.180032
BTN 106.81387
BWP 15.540258
BYN 3.369837
BYR 23117.570581
BZD 2.373354
CAD 1.613872
CDF 2624.316245
CHF 0.91692
CLF 0.025718
CLP 1015.498126
CNY 8.188043
CNH 8.183933
COP 4295.622044
CRC 585.020308
CUC 1.179468
CUP 31.255899
CVE 110.174661
CZK 24.311216
DJF 210.137696
DKK 7.466456
DOP 74.365378
DZD 153.347129
EGP 55.405511
ERN 17.692018
ETB 182.7902
FJD 2.602618
FKP 0.863588
GBP 0.869392
GEL 3.172529
GGP 0.863588
GHS 12.957376
GIP 0.863588
GMD 86.69623
GNF 10356.902927
GTQ 9.051578
GYD 246.887563
HKD 9.214457
HNL 31.171758
HRK 7.531493
HTG 154.679726
HUF 379.560984
IDR 19896.443782
ILS 3.663439
IMP 0.863588
INR 106.523523
IQD 1545.692666
IRR 49685.084917
ISK 144.803603
JEP 0.863588
JMD 185.01457
JOD 0.836254
JPY 185.413536
KES 152.150702
KGS 103.144515
KHR 4753.255912
KMF 491.83787
KPW 1061.556487
KRW 1728.179926
KWD 0.36251
KYD 0.983394
KZT 586.329235
LAK 25383.186873
LBP 101611.158739
LKR 365.240518
LRD 219.380728
LSL 18.942366
LTL 3.482662
LVL 0.713448
LYD 7.457885
MAD 10.821026
MDL 19.966628
MGA 5226.761516
MKD 61.649525
MMK 2476.626868
MNT 4209.70601
MOP 9.496313
MRU 46.859776
MUR 54.325858
MVR 18.233853
MWK 2049.914963
MXN 20.462695
MYR 4.655366
MZN 75.203136
NAD 18.941996
NGN 1616.378441
NIO 43.426049
NOK 11.416795
NPR 170.901868
NZD 1.967535
OMR 0.453507
PAB 1.180032
PEN 3.965958
PGK 5.056047
PHP 69.25305
PKR 330.06556
PLN 4.216981
PYG 7810.595646
QAR 4.294738
RON 5.09483
RSD 117.413653
RUB 90.400836
RWF 1721.974164
SAR 4.423092
SBD 9.511992
SCR 16.137802
SDG 709.447773
SEK 10.625885
SGD 1.502141
SHP 0.884906
SLE 28.9557
SLL 24732.850987
SOS 674.077708
SRD 44.694753
STD 24412.60392
STN 24.480861
SVC 10.325534
SYP 13044.41343
SZL 18.942435
THB 37.412949
TJS 11.027758
TMT 4.134035
TND 3.35617
TOP 2.839875
TRY 51.353737
TTD 7.993446
TWD 37.370223
TZS 3037.129598
UAH 50.89599
UGX 4201.554905
USD 1.179468
UYU 45.482706
UZS 14466.138385
VES 445.820403
VND 30630.78102
VUV 141.167767
WST 3.215636
XAF 655.30023
XAG 0.015066
XAU 0.000243
XCD 3.187571
XCG 2.126756
XDR 0.815132
XOF 655.419584
XPF 119.331742
YER 281.096682
ZAR 19.042845
ZMK 10616.627314
ZMW 23.100059
ZWL 379.788178
'Não somos animais': migrantes rejeitam albergues da Costa Rica e Panamá
'Não somos animais': migrantes rejeitam albergues da Costa Rica e Panamá / foto: MARTIN BERNETTI - AFP

'Não somos animais': migrantes rejeitam albergues da Costa Rica e Panamá

Em uma cidadezinha do Caribe panamenho, o venezuelano Luis Montilla aguarda para pagar uma lancha em seu caminho de volta após não conseguir entrar nos Estados Unidos. Prefere dormir na praia a estar preso nos albergues de migrantes: "Não somos animais", diz à AFP.

Tamanho do texto:

Montilla, de 28 anos, e outros 50 venezuelanos estão presos na localidade costeira de Miramar, na província de Colón, enquanto familiares lhes enviam os 260 dólares que o lancheiro cobra de cada para levá-los à fronteira com a Colômbia para depois seguir rumo ao seu país ou a outro destino.

Eles cruzaram o México e a América Central a pé e de ônibus, pois o presidente Donald Trump endureceu a política migratória e eliminou o aplicativo CBP One com o qual solicitavam uma entrevista para pedir asilo.

"A migração inversa não é um retorno voluntário, mas sim o reflexo de uma crise maior que deixou milhares no limbo. É um fluxo de retorno forçado", afirmou à AFP Diego Chaves, analista do Instituto de Política Migratória, com sede em Washington.

Nem Montilla nem os outros queriam se valer do plano anunciado esta semana pela Costa Rica e pelo Panamá, que envia os migrantes, em ônibus pagos por eles, para abrigos em áreas remotas da fronteira.

"Ali te tratam como se fosse um delinquente, está preso. A gente prefere caminhar", afirma Víctor Díaz, de 19 anos. Como centenas no último mês, Díaz prefere o perigo do mar a voltar a cruzar a inóspita selva de Darién, fronteiriça com a Colômbia.

A maioria dos venezuelanos retornou do México. Ao longo do caminho, Montilla dormiu nas ruas sobre papelão e comeu por caridade.

- "Centros de detenção" -

Jinnelis Navas, de 50 anos, chegou a Miramar com 10 parentes. São muitos e estão tentando conseguir dinheiro para a lancha. Estiveram em um albergue no México onde a trataram "como cachorros". "Por isso não nos entregamos" às autoridades da Costa Rica e Panamá, explicou.

Os migrantes que chegam à Costa Rica da Nicarágua, após passar pelos países do norte centro-americano, são enviados de ônibus ao chamado abrigo "Catem", 360 km ao sul de San José, na fronteira com o Panamá.

Dali pegam outro ônibus que cruza o Panamá até dois centros para migrantes, Lajas Blancas e San Vicente, no Darién, a 260 km da capital panamenha. Dessa região, viajariam em voos humanitários, mas até o momento não houve nenhum.

Sob pressão de Trump, Costa Rica e Panamá são "pontes" de deportação. No Catem e em San Vicente também há mais de 200 asiáticos deportados pelos Estados Unidos que rejeitam ser repatriados, como afegãos e iranianos. A Organização Internacional para a Migração (OIM) deve buscar outro destino para eles.

"Os migrantes são criminalizados" e os albergues na Costa Rica e Panamá "são centros de detenção", afirmou à AFP a advogada Gabriela Oviedo, do Centro para a Justiça e o Direito Internacional (CEJIL).

Vigiados por policiais, nesses centros, os migrantes dormem em barracas, têm acesso à comida e a serviços básicos. Também são submetidos a controles biométricos para descartar antecedentes criminais.

Oviedo, coordenadora de Mobilidade Humana do escritório da América Central e México do CEJIL, argumenta que "os migrantes não têm acesso à defesa nem à assessoria legal" e não deveria haver crianças presas.

A AFP solicitou, sem sucesso, acesso aos abrigos na Costa Rica e no Panamá.

- "Novo ciclo de precariedade" -

Mais de 2.200 migrantes chegaram ao Panamá em fevereiro em fluxo inverso, segundo a contagem do governo de uma semana atrás.

Muitos voltam endividados e durante a viagem se endividam ainda mais. Devem pagar os ônibus - 120 dólares da fronteira com a Nicarágua a Lajas Blancas - e as lanchas. E isso é apenas uma parte do trajeto.

"A migração inversa não será o fim do caminho para muitos, mas sim um novo ciclo de precariedade e mobilidade forçada", disse Chaves, que alertou que é necessário uma "estratégia regional" para atender "aqueles que estão presos nesse processo hoje".

A Defensoria dos Habitantes da Costa Rica afirmou que muitos migrantes no Catem desejam sair para trabalhar informalmente e juntar o dinheiro para seguir sua viagem.

"Eles têm direito a que sua liberdade de circulação não seja restringida arbitrariamente", indicou à AFP Juanita Goebertus, diretora para as Américas da Human Rights Watch (HRW).

Mas um funcionário costarriquenho disse que preferem tê-los "controlados".

Sua aventura rumo ao norte foi frustrada, Montilla diz, enquanto espera o dia de zarpar, que eles só querem “ajuda para seguir em frente”, desta vez rumo ao sul.

S.Ogawa--JT