The Japan Times - Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga

EUR -
AED 4.169986
AFN 72.100737
ALL 94.391098
AMD 417.77146
ANG 2.032937
AOA 1041.786236
ARS 1679.663048
AUD 1.646912
AWG 2.045254
AZN 1.926735
BAM 1.958195
BBD 2.286697
BDT 139.653864
BGN 1.919933
BHD 0.428237
BIF 3389.149222
BMD 1.135464
BND 1.474949
BOB 7.845837
BRL 5.914406
BSD 1.135389
BTN 107.442235
BWP 15.533338
BYN 3.199813
BYR 22255.086817
BZD 2.283463
CAD 1.61698
CDF 2576.367024
CHF 0.922793
CLF 0.026505
CLP 1043.17317
CNY 7.710363
CNH 7.736084
COP 3911.024933
CRC 516.84801
CUC 1.135464
CUP 30.089786
CVE 110.392713
CZK 24.231246
DJF 201.795215
DKK 7.476335
DOP 66.553443
DZD 151.588929
EGP 56.33296
ERN 17.031954
ETB 180.141168
FJD 2.54821
FKP 0.860905
GBP 0.862572
GEL 2.998038
GGP 0.860905
GHS 12.716944
GIP 0.860905
GMD 82.319575
GNF 9948.385397
GTQ 8.660591
GYD 237.496721
HKD 8.900877
HNL 30.339263
HRK 7.535614
HTG 148.45613
HUF 355.896878
IDR 20466.163894
ILS 3.392653
IMP 0.860905
INR 107.234262
IQD 1487.457333
IRR 1561319.240986
ISK 144.215003
JEP 0.860905
JMD 178.822628
JOD 0.805079
JPY 183.648184
KES 147.076334
KGS 99.295871
KHR 4561.719358
KMF 492.791461
KPW 1021.917649
KRW 1755.996953
KWD 0.351415
KYD 0.946178
KZT 552.542763
LAK 25054.004953
LBP 101680.766264
LKR 383.038436
LRD 206.938611
LSL 18.83747
LTL 3.352729
LVL 0.68683
LYD 7.272605
MAD 10.690957
MDL 20.108034
MGA 4797.333658
MKD 61.63027
MMK 2383.951162
MNT 4065.035148
MOP 9.170116
MRU 45.498454
MUR 54.740689
MVR 17.54292
MWK 1972.300769
MXN 20.014925
MYR 4.697432
MZN 72.567796
NAD 18.837011
NGN 1560.236095
NIO 41.569315
NOK 11.191907
NPR 171.903229
NZD 2.012535
OMR 0.436591
PAB 1.135424
PEN 3.885514
PGK 4.977021
PHP 69.762949
PKR 315.715125
PLN 4.285671
PYG 6925.591626
QAR 4.138741
RON 5.215294
RSD 117.396712
RUB 85.049257
RWF 1664.589657
SAR 4.248073
SBD 9.142699
SCR 15.685497
SDG 681.27782
SEK 11.077447
SGD 1.473503
SHP 0.847738
SLE 28.160419
SLL 23810.108396
SOS 648.912077
SRD 42.534885
STD 23501.804299
STN 24.611174
SVC 9.934368
SYP 125.505175
SZL 18.837622
THB 37.978423
TJS 10.542125
TMT 3.974123
TND 3.335424
TOP 2.733924
TRY 52.815974
TTD 7.698652
TWD 36.133746
TZS 2975.48579
UAH 50.964774
UGX 4189.12308
USD 1.135464
UYU 45.32623
UZS 13642.594942
VES 704.842427
VND 29902.434251
VUV 134.891297
WST 3.135744
XAF 656.780453
XAG 0.019704
XAU 0.000283
XCD 3.068647
XCG 2.046266
XDR 0.814089
XOF 650.62094
XPF 119.331742
YER 270.950018
ZAR 18.822155
ZMK 10220.529277
ZMW 20.465659
ZWL 365.61882
Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga
Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP

Agroecologia, uma arma contra a desertificação na Caatinga

"Se as leis não cuidam, nós cuidamos. É isso o que vai mudar o Brasil" em questões ambientais, diz Alcides Peixinho Nascimento, agricultor determinado a salvar a terra onde nasceu, na Bahia, da ameaça da desertificação.

Tamanho do texto:

Em sua busca, esse senhor de 70 anos opta por práticas agroecológicas para recuperar a vegetação nativa e ao mesmo tempo produzir alimentos para seu sustento.

A semiárida Caatinga perdeu mais de 40% do seu território original, segundo a rede MapBiomas.

As secas cada vez mais severas, relacionadas, segundo os especialistas, à mudança climática e à expansão do agronegócio, aumentam a pressão sobre esta região, a mais pobre do país.

No norte da Bahia, um dos dez estados que abrigam a Caatinga, foi recentemente identificada a primeira zona árida do Brasil.

Ao contrário da Amazônia, cuja preservação preocupa o mundo inteiro, o declínio desse bioma não chama a atenção, apesar de também ajudar a capturar as emissões de dióxido de carbono.

"Manter a Caatinga em pé e manter a vida", resume Alcides, com um facão na cintura, enquanto percorre suas terras na Serra da Canabrava, no município baiano de Uauá.

Há quarenta anos, diz ele, era impossível imaginar tal degradação. Agora, o impacto do aquecimento é percebido "com muita facilidade".

Até 2060, nove em cada 10 espécies de flora e fauna da Caatinga poderão desaparecer, alertou um estudo recente publicado na revista científica Global Change Biology.

- Guardiãs -

Para recuperar o bioma ou "recaatingar", Alcides planta o mandacaru, cacto que pode medir até seis metros e cujo fruto serve de alimento para animais e humanos.

Além disso, seus espinhos espantam os predadores, sendo ideal para cercar terras com cultivos de outras espécies nativas e alimentos, como o feijão.

O excedente da produção do mandacaru é vendido como insumo para uma empresa francesa de cosméticos. Isso garante autonomia alimentar e ao mesmo tempo dá ao solo uma vegetação que o protege do clima extremo.

"Onde tem Caatinga em pé ainda hoje, é onde tem comunidades tradicionais presentes" que utilizam estas práticas, explica Luís Almeida Santos, do Instituto Regional de Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA), ONG que promove esta forma de convivência com o entorno.

"Elas são, de fato, as guardiãs da Caatinga", acrescenta, em uma área em recuperação na comunidade rural de Baixinha, próximo a Uauá.

- Até a última gota -

O IRPAA também ensina as comunidades a dosar o uso da água para que dure inclusive durante os períodos mais críticos da seca.

Segundo projeções oficiais, 38 milhões de brasileiros poderão sofrer os efeitos da desertificação, que ameaça 140 milhões de hectares, uma superfície maior que a do Peru.

Em seu terreno em Malhada da Areia, subúrbio rural da cidade de Juazeiro, Maria Silvânia Gonçalves dos Santos, de 60 anos, mostra o caminho que a água da chuva percorre desde o momento em que é coletada em uma placa de concreto até chegar ao tanque, alguns metros adiante.

"Aqui toda a água é reaproveitada", diz ela, que dá como exemplo o uso de água filtrada para irrigação de pastagens para animais.

Para fazer a água durar, Gonçalves tem uma lata, uma régua escolar e um caderno: é uma espécie de pluviômetro caseiro com o qual ela calcula o conteúdo restante de sua cisterna de 16 mil litros instalada pelo governo.

Quase um milhão de cisternas como esta foram instaladas desde 2003. Após uma redução drástica no governo de Jair Bolsonaro (2019-2022), a iniciativa foi reativada pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

- "Voltar para contribuir" -

Além de assessorar diretamente as famílias, o IRPAA possui um centro de formação em Tourão, próximo à cidade de Juazeiro, onde até o momento já formou cerca de 200 jovens nessas práticas para que possam transmiti-las às suas comunidades.

É o caso de Anderson Santos de Jesus, de 20 anos, que veio da comunidade quilombola de Curral da Pedra, a 200 km de distância, para estudar.

"É muito gratificante, porque a gente que vem do campo não tem muita oportunidade, a gente tem que se deslocar da nossa região pra outra pra buscar o conhecimento. Fico muito feliz por estar conseguindo e saber que algum dia eu vou voltar e poder contribuir", afirma.

K.Yamaguchi--JT