The Japan Times - Ex-dirigente independentista catalão será candidato nas eleições regionais de maio

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Ex-dirigente independentista catalão será candidato nas eleições regionais de maio
Ex-dirigente independentista catalão será candidato nas eleições regionais de maio / foto: Jean-Christophe Milhet - AFP/Arquivos

Ex-dirigente independentista catalão será candidato nas eleições regionais de maio

O independentista Carles Puigdemont anunciou, nesta quinta-feira (21), que será candidato nas eleições regionais da Catalunha, no nordeste da Espanha, de 12 de maio, próximas da provável data de aprovação da lei de anistia que permitiria seu eventual retorno ao país.

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"Decidi me candidatar às próximas eleições para o Parlamento da Catalunha", disse o político em um discurso em Elna, no sul da França. Puigdemont foi presidente regional da Catalunha durante a tentativa fracassada de independência de 2017, e depois disso se exilou na Bélgica.

"Estou aqui para terminar o trabalho" da independência da Catalunha, acrescentou, antes de sentenciar: "eles não nos derrotaram."

Esta será a terceira vez que Puigdemont, do partido Juntos pela Catalunha, concorre nas eleições regionais desde que se refugiou na Bélgica. Contudo, nas ocasiões anteriores, não chegou a tomar posse de sua cadeira porque seria preso ao pisar em território espanhol.

Puigdemont também prometeu voltar à Espanha se houver a chance de ser eleito presidente pelo Parlamento catalão, mas, para isso, seu partido precisaria vencer as eleições, quando é atualmente a terceira força.

"Se houver maioria parlamentar que me proponha ser candidato à investidura, sairei definitivamente do exílio nesse dia para comparecer ao plenário do Parlamento", afirmou.

Na semana passada, o atual presidente catalão, Pere Aragonès, convocou eleições antecipadas na região autônoma para 12 de maio.

A convocação aconteceu na véspera da aprovação pelos deputados espanhóis de um projeto de lei de anistia para os separatistas, que agora tramita no Senado, e deve obter a luz verde definitiva em cerca de dois meses.

Assim que soube da antecipação das eleições, Puigdemont disse sorridente à imprensa que, com o calendário previsto, "poderia estar presente" no debate de investidura do próximo presidente regional da Catalunha, que poderia acontecer na segunda metade de junho.

Nomeado presidente catalão em 2016, Puigdemont esteve à frente da tentativa de secessão do ano seguinte, uma das piores crises políticas da Espanha contemporânea.

Depois de uma fracassada declaração unilateral de independência, fugiu para a Bélgica e foi eleito eurodeputado nas últimas eleições europeias.

- Frentes abertas -

Com o separatismo em baixa, os resultados das eleições legislativas de julho na Espanha devolveram um protagonismo inesperado a Puigdemont, já que os sete deputados de seu partido se tornaram chave para formar uma maioria de governo.

Os dois partidos independentistas catalães, Juntos e Esquerda Republicana da Catalunha (ERC), decidiram apoiar um novo mandato do socialista Pedro Sánchez em troca da promessa de uma lei de anistia para os separatistas processados ou condenados por envolvimento na tentativa de secessão.

O texto deve beneficiar cerca de 400 pessoas e teve diversas versões diante do temor de Puigdemont de que não seria suficiente para protegê-lo de causas por traição ou suposto "terrorismo", especialmente depois que o Tribunal Supremo abriu uma investigação contra ele no final de fevereiro.

Com várias frentes abertas, a nova norma pode não ser suficiente para clarear completamente o horizonte jurídico de Puigdemont.

"Ele vai assumir as consequências de suas decisões", afirmou seu advogado, Gonzalo Boye, à rádio Rac 1, admitindo que, mesmo com a lei de anistia em vigor, não poderia garantir que ele não seria detido ao cruzar a fronteira.

- Inimigos íntimos -

Tudo indica que as eleições nesta região de quase oito milhões de habitantes e um dos motores econômicos da Espanha serão bastante apertadas.

As últimas pesquisas apontam que o Partido Socialista catalão está na liderança, seguido por Juntos e ERC, que agora se transformaram em inimigos íntimos.

Após governarem lado a lado, o Juntos decidiu abandonar abruptamente o governo de Aragonès, da ERC, em outubro de 2022, agravando as divisões no campo independentista.

Aragonès reiterou que gostaria que Puigdemont retornasse e pudesse participar da campanha, embora considere que o seu tempo já passou: "A Catalunha deve olhar adiante", frisou o candidato da ERC no domingo, em declarações ao jornal La Vanguardia.

Y.Mori--JT