The Japan Times - Terremoto no Marrocos deixa mais de 1.300 mortos

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Terremoto no Marrocos deixa mais de 1.300 mortos
Terremoto no Marrocos deixa mais de 1.300 mortos / foto: Fadel SENNA - AFP

Terremoto no Marrocos deixa mais de 1.300 mortos

Mais de 1.300 pessoas morreram devido a um poderoso terremoto de magnitude 6,8 que abalou o Marrocos na noite de sexta-feira (8), espalhando o pânico na cidade turística de Marrakech, perto do epicentro, segundo um novo relatório oficial divulgado neste sábado (9).

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O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informou que o terremoto foi de magnitude 6,8 e ocorreu a uma profundidade de 18,5 quilômetros, com epicentro 71 quilômetros a sudoeste de Marrakech às 23h11 de sexta-feira, horário local (19h11 no horário de Brasília).

O Centro Nacional de Pesquisa Científica e Técnica do Marrocos (CNRST) indicou uma magnitude de 7.

O terremoto deixou pelo menos 1.305 mortos e 1.832 feridos, "dos quais 1.220 estão em estado crítico", informou o Ministério do Interior em comunicado.

No balanço anterior, de 1.037 mortos, a maioria das vítimas foi registrada em Al Hauz, província do epicentro do terremoto.

Na tarde deste sábado, as autoridades marroquinas declararam três dias de luto nacional, depois de o terremoto mais potente registrado neste país do norte da África, segundo a imprensa marroquina.

- Fossas cavadas -

O vilarejo de Tafeghaghte, localizado cerca de 60 quilômetros a sudoeste de Marrakech, foi praticamente destruído em sua totalidade, como pôde ser observado por uma equipe da AFP.

Poucos prédios ainda estão de pé nesta localidade, que está a apenas 50 quilômetros do epicentro do terremoto. O exército continuava no local em busca de sobreviventes nos escombros.

"Três dos meus netos (com 12, 8 e 4 anos) e sua mãe morreram. Todos estão debaixo dos destroços", disse Omar Benhanna, de 72 anos, um morador de Tafeghaghte.

No vilarejo de Moulay Brahim, em Al Haouz, as equipes de resgate trabalhavam neste sábado em busca de sobreviventes nos escombros.

Perto dali, vizinhos já cavavam fossas em uma colina para enterrar as vítimas, segundo uma equipe da AFP presente no local.

O Exército marroquino mobilizou "importantes recursos humanos e logísticos, aéreos e terrestres", como equipes de busca e resgate e um hospital de campanha em Al Haouz, informou a agência estatal de notícias MAP.

Em Marrakech, marroquinos visivelmente atordoados inspecionavam os danos nas suas casas entre pilhas de escombros, poeira e carros esmagados por pedras.

O tremor foi sentido até na capital Rabat, a centenas de quilômetros de distância, e em cidades costeiras como Casablanca ou Essaouira, ou até mesmo no país vizinho, a Argélia, onde as autoridades descartaram danos ou vítimas.

A Presidência da Argélia anunciou neste sábado à tarde a abertura de seu espaço aéreo, que estava fechado para Marrocos há dois anos, para os aviões com ajuda humanitária destinados às vítimas do terremoto.

A Cruz Vermelha Internacional alertou que Marrocos poderia precisar de "meses, ou até anos" de ajuda para reconstruir as áreas atingidas.

- "Entramos em pânico" -

Vídeos gravados em Marrakech mostram moradores deixando edifícios aterrorizados em meio ao tremor, destroços caindo de casas em vielas estreitas e veículos cobertos de pedras.

Um delas mostra o minarete de uma mesquita que desabou na famosa praça Jemaa el Fna, no coração de Marrakech, causando ferimentos a duas pessoas.

Um correspondente da AFP viu centenas de pessoas reunidas nesta praça emblemática para passar a noite ali com medo de tremores secundários. Alguns com cobertores e outros dormiam diretamente no chão.

Mimi Theobald, uma turista inglesa de 25 anos, estava com alguns amigos prestes a comer sobremesa na esplanada de um restaurante "quando as mesas começaram a tremer, os pratos a voar. Entramos em pânico".

- "Gritos e prantos" -

Fayssal Badour, de 58 anos, estava voltando para casa quando percebeu o tremor. "Parei e percebi a catástrofe. Foi muito grave (…) Os gritos e prantos eram insuportáveis", relatou.

O papa Francisco expressou "sua profunda solidariedade pelas vítimas" em uma mensagem enviada pelo secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin.

O rei da Espanha, Felipe VI, disse estar "desolado ao receber a notícia do violento terremoto (...) que causou um número elevadíssimo de vítimas fatais".

Vários países, incluindo Espanha, Reino Unido, Itália, Israel e Estados Unidos, ofereceram apoio a Marrocos para as operações de resgate.

A França, que possui uma grande população de origem marroquina, expressou sua "solidariedade", e o presidente Emmanuel Macron disse estar "chocado" e afirmou que seu país "está pronto para mobilizar os meios necessários" para ajudar o país devastado.

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin; da Ucrânia, Volodimir Zelensky; da Turquia, Recep Tayyip Erdogan; e da China, Xi Jinping, também expressaram suas condolências e solidariedade. A União Africana manifestou "profundo pesar" pela tragédia.

O reino do Marrocos experimenta frequentes terremotos em sua região norte devido à sua localização entre as placas africana e euroasiática.

Em 2004, pelo menos 628 pessoas morreram e 926 ficaram feridas quando um terremoto atingiu Alhucemas, no nordeste do país.

T.Shimizu--JT