The Japan Times - Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

EUR -
AED 4.218259
AFN 74.659279
ALL 93.369227
AMD 420.332712
AOA 1054.420267
ARS 1710.291846
AUD 1.636331
AWG 2.068927
AZN 1.951893
BAM 1.95411
BBD 2.314598
BDT 141.876383
BHD 0.433319
BIF 3410.234974
BMD 1.148606
BND 1.474918
BOB 13.645483
BRL 5.813093
BSD 1.148956
BTN 109.553795
BWP 15.669444
BYN 3.342993
BYR 22512.684364
BZD 2.31118
CAD 1.612373
CDF 2613.079121
CHF 0.9304
CLF 0.027034
CLP 1064.000044
CNY 7.759123
CNH 7.756096
COP 3585.271332
CRC 521.946194
CUC 1.148606
CUP 30.438068
CVE 110.168734
CZK 24.210548
DJF 204.642074
DKK 7.475383
DOP 66.672032
DZD 152.815922
EGP 58.747426
ERN 17.229095
ETB 183.633847
FJD 2.54692
FKP 0.853335
GBP 0.855729
GEL 3.003591
GGP 0.853335
GHS 13.433677
GIP 0.853335
GMD 84.99741
GNF 10088.272674
GTQ 8.768376
GYD 240.390992
HKD 9.008887
HNL 30.792094
HRK 7.53313
HTG 150.259357
HUF 364.182293
IDR 20737.168676
ILS 3.511522
IMP 0.853335
INR 109.713841
IQD 1505.491052
IRR 1579333.724689
ISK 142.599294
JEP 0.853335
JMD 181.932611
JOD 0.81438
JPY 184.019366
KES 148.632985
KGS 100.445829
KHR 4649.977323
KMF 494.443558
KRW 1658.852151
KWD 0.355712
KYD 0.957672
KZT 544.541808
LAK 26024.1272
LBP 102908.898236
LKR 385.786258
LRD 207.428748
LSL 19.008173
LTL 3.391535
LVL 0.69478
LYD 7.352639
MAD 10.735413
MDL 20.082627
MGA 4914.491773
MKD 61.476549
MMK 2411.833141
MNT 4130.412797
MOP 9.283788
MRU 46.185844
MUR 53.984177
MVR 17.757211
MWK 1992.650143
MXN 19.947548
MYR 4.692863
MZN 73.407721
NAD 19.008091
NGN 1567.985951
NIO 42.284217
NOK 10.938637
NPR 175.287596
NZD 1.958586
OMR 0.441651
PAB 1.149146
PEN 3.893784
PGK 5.145504
PHP 70.408416
PKR 319.159696
PLN 4.313764
PYG 6852.012695
QAR 4.200966
RON 5.247181
RSD 117.40828
RUB 91.315434
RWF 1687.040548
SAR 4.285608
SBD 9.282008
SCR 15.513236
SDG 689.16368
SEK 10.983405
SGD 1.475649
SLE 28.37116
SOS 656.729007
SRD 43.354142
STD 23773.832317
STN 24.473501
SVC 10.055301
SZL 19.005476
THB 38.42835
TJS 10.606978
TMT 4.031608
TND 3.378377
TRY 54.587979
TTD 7.803216
TWD 37.139035
TZS 3043.12686
UAH 51.291581
UGX 4315.248111
USD 1.148606
UYU 46.239596
UZS 13756.039822
VES 856.511619
VND 30208.921179
VUV 137.869694
WST 3.156404
XAF 655.390025
XAG 0.019847
XAU 0.000283
XCD 3.104166
XCG 2.071099
XDR 0.813457
XOF 655.384324
XPF 119.331742
YER 273.71427
ZAR 19.032631
ZMK 10338.835822
ZMW 21.586198
ZWL 369.850774
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil
Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil / foto: Pablo PORCIUNCULA - AFP/Arquivos

Ouro negro, promessas verdes: o paradoxo climático do Brasil

O petróleo pode servir para custear o seu próprio fim e financiar a transição energética? É nisso que acredita o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que defende a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma região situada próxima da Foz do Rio Amazonas.

Tamanho do texto:

Para Lula, esse objetivo não é incompatível com suas ambições de transformar o maior país da América Latina em uma referência mundial na luta contra a mudança climática, faltando um mês para a COP30, que será realizada em Belém, no Pará.

"O mundo ainda não está preparado para viver sem o petróleo", disse o presidente em um podcast.

"Eu sou contra o combustível fóssil, quando a gente puder prescindir dele. Enquanto a gente não puder [...] É com o dinheiro do petróleo que a gente vai conseguir fazer o biocombustível, o etanol, o hidrogênio verde e outras coisas mais", afirmou ele no início deste ano.

O Brasil é o oitavo maior produtor global de petróleo e Lula quer que a Petrobras seja "a maior empresa de petróleo do mundo".

Além disso, insta os líderes mundiais a intensificarem a luta contra o aquecimento e prometeu desmatamento zero até 2030.

Os críticos dizem que a posição do presidente é contraditória. Outros a consideram pragmática.

"Cada vez mais está ficando claro que os países emergentes [...] não poderão contar com os países desenvolvidos para financiarem a agenda de adaptação à mudança do clima", disse Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).

"É muito mais difícil você impor a um país como o Brasil, ele não retirar um petróleo [...], do que você falar a mesma coisa para Noruega, que já ficou rica", acrescentou.

Para Arbache, a pergunta deveria ser como usar esse petróleo "e dentro de que parâmetros ambientais".

- 'Equívoco histórico' -

O paradoxo fica especialmente evidente no litoral norte do país, onde um braço com centenas de quilômetros de água doce e barrenta do Amazonas, o rio mais caudaloso do mundo, desemboca no Oceano Atlântico, um encontro que é visível do espaço.

Depois que uma licença para a exploração de petróleo nessa região foi negada em 2023, a Petrobras superou recentemente uma prova-chave exigida pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).

A companha afirmou em comunicado que espera receber logo a autorização, mesmo se for necessário reformular parcialmente o seu plano de proteção da fauna em caso de um derramamento de petróleo.

A Petrobras espera encontrar novas jazidas na Margem Equatorial, uma enorme área marítima próxima da Foz do Amazonas e onde a Guiana emergiu como um importante produtor de petróleo em menos de uma década, após a descoberta de grandes reservas.

A gigante estatal estima que seria "improvável" um vazamento de petróleo nessa região alcançar a costa e que não haveria "impacto direto" nas comunidades indígenas.

"Não existe petróleo sustentável, ponto", indicou à AFP Suely Araújo, ex-presidente do Ibama e coordenadora da ONG Observatório do Clima.

"A gente está em plena crise climática, com um monte de eventos extremos e a opção por continuar indefinidamente aumentando a produção de petróleo é um grande equívoco, um equívoco histórico", frisou.

- Exportar o problema -

Se a Petrobras encontrar petróleo na Foz do Amazonas, o novo bloco poderia demorar uma década para entrar em produção.

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) prevê uma queda na demanda de petróleo a partir de 2030, por isso, seguir perfurando é economicamente arriscado, estimou Suely Araújo.

Ademais, as receitas provenientes do petróleo não demonstraram ser capazes de solucionar os "problemas sociais" do país, ressaltou.

O Tribunal de Contas da União (TCU) advertiu este ano sobre "severas disfunções" na distribuição dos royalties das receitas do petróleo, que se multiplicaram por 40 entre 2000 e 2022.

O Brasil é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, embora sua matriz energética seja predominantemente renovável.

Quase metade das emissões se devem ao desmatamento e outros 25% à indústria agropecuária, disse Felipe Barcellos e Silva, pesquisador do Instituto de Energia e Ambiente.

Segundo cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista do Instituto ClimaInfo, a queima das reservas estimadas na Margem Equatorial poderia representar lançamento de mais 2,5 bilhões de toneladas de CO₂ na atmosfera, mais que as emissões brasileiras de todo um ano.

É uma "incoerência falar de uma transição aliada à destruição", opinou a ambientalista Neidinha Suruí, que dedicou décadas à proteção das terras indígenas.

"O que o presidente está fazendo é ajudando a pressionar o clima e a destruição do Planeta. Espero que ele mude a atitude", disse ela à AFP.

K.Tanaka--JT